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terça-feira, 29 de junho de 2010

Desejos... (não encontrei título melhor, mas aceito sugestões)


Apeteceu-me este texto depois de uma conversa de fim de tarde e inspirada por este maravilhoso e delicioso nu da Tamara Lempicka, “Adão e Eva”.


… O que mais me seduz é a sedução na certeza de que os desejos nela implícitos são inconcretizaveis de imediato.
O que se vê na essência de um desejo, pelo menos naquele dito físico, sexual, é a possibilidade de satisfação imediata, no minuto ou na hora seguinte. Um olhar que despe antecipa o momento desejado de possuir um corpo nu.
O sentir o desejo provocado num homem e saber que ele nada pode fazer, falar ou tocar, dá poder e aumenta a excitação. Provocar o desejável no impossível, é maquiavelicamente excitante, e, pelo que li, enquadra-se na prática tântrica do sexo.

Pergunta-me ela, neste ponto da conversa,: “então para ti o que é um momento perfeito de sedução?”
“Simples … dizer a um homem com toda a minha linguagem corporal que quero que ele me faça dele, ele dizer-me, nos mesmos sinais, que me deseja e eu mostrar-lhe que é impossível… ali, naquele momento. Adiar a concretização de um desejo é ter poder. E isso, francamente, é libidinoso”. Mereci um comentário estranho: “os trinta anos apimentaram-te, amiga!”…

Não sei se é fiel à verdade o comentário desta minha querida confidente, mas, na verdade, a sexualidade é a parte lúdica da vida. Não que a encare como piada ou entretenimento, longe disso (aliás odeio piadinhas de cama e na cama!) mas sim como um jogo. Entusiasmamo-nos na novidade de cada patamar, mas uma vez obtida a vitória estamos sempre ávidos das armadilhas e truques que nos reserva o patamar seguinte…

Uma vez, dancei para um homem deslumbrante numa discoteca muito em voga.
Foi uma saída de grupo. Nessas saídas a parte glamourosa do grupo (entenda-se, as mulheres) iam dançar enquanto a parte séria e pé de chumbo (entenda-se, os homens) iam para junto do bar conversar ou beber, ou fumar, ou sei lá o quê (provavelmente dar azo às seduções natas que também neles reside). A música era um feitiço. Quando esta me prende eu transformo-me e entrego o corpo aos sons, à energia, à vida e esqueço-me das regras, do “dançar com regras”… Sou assim porque me acho feliz na plenitude das sensações e a música, definitivamente, liberta-me! Naquele estado de voluntária e desejada alienação apercebi-me de um homem na pista. Distinguia-se pela forma física, pela roupa discreta mas criteriosamente escolhida tão discreta tanto quanto os movimentos que imprimia ao corpo contrariando a agitação imposta pelos sons latinos da música. Eu, como sempre, estava rendida à música. Mas fitei-o. Ele sorriu-me. Há mensagens decifráveis sem margem para dúvidas. Ele desejou-me. E eu, apeteceu-me. Não esbocei um único sorriso indutor de qualquer convite, mas fiz-lhe perceber que dançava para ele. E ele sedutoramente não saiu do seu lugar, como se tivesse percebido que detesto que precipitem os momentos e, sobretudo, que me dêem por adquirida nas vontades e nas atitudes. Distantes e indómitos nos intentos. Eu dançava, ele via. Eu fitava-o, ele seguia-me nas formas, nos movimentos sem afastar o olhar.
No momento exacto em que se impunha a aproximação, apareceram na pista os homens do grupo e, entre eles, o um amigo que era o menos pé de chumbo. Instintivamente puxei-o a mim e dei a entender que seria meu nnmorado enquanto a mão passeava pelo outro lado do pescoço e descendo pelo peito, serpenteando as costas, chegou ao rabo. Não tirei os olhos do meu observador.
E, pela primeira vez, sorri-lhe, impossibilitando-lhe assim o desejo que lhe provoquei...

Feitiços desejados...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

... fragmentos de mim...


Escarlate, rubro, vermelho, encarnado...


Gosto desta cor que me transporta para a Vida num pulsar de respiração ofegante, sangue, quente, beijos, coração, abraços, gestos, impulsos, abraços, apertos, gritos, sorrisos, gemidos, abraços, prazeres, olhares destemidos raiados chorados irados... Paixão!

Como eu gosto do vermelho cereja ameixa maçã desta minha blusa de cetim.

Cetim... ah! tecido dengoso, lânguido, atrevido, insinuando o desejo de ser tapete (vermelho) das tuas mãos firmes, impetuosas e intrépidas na descoberta da (minha) pele escondida e tão ávida de ti...