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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
... ainda antes de adormecer...
Li e reli os textos deste meu Blog ("meu blog", pomposo não é? enfim...)
Na verdade, alguns são, bons textos, não há que ser falsamente modesta. Nunca o fui e não vejo razões para o ser agora. Vi-me mesmo surpreendida com os comentários que ia cogitando à medida que ia lendo os textos ao ponto até de achar que não era eu a sua autora de tão poéticos que me soavam.
Outros, obviamente, são medianos, simples relatos de fragmentos da minha existência também ela tão simples.
Não pude, porém, deixar de concluir que este blog tem uma carga triste, nostálgica, saudosa e demasiado agarrado a emoções que teimo em convocar para o presente quando as mesmas deveriam estar no protector lugar do "foram, eram, aconteceram".
E quando me deparei com a necessidade de escrever algo mais "light", senti-me incapaz. Porque, neste momento, é essa minha alma nostálgica e intensa que comanda a minha vida.
Permito-me tantas e um sem número vezes que a alegria me invada e rio, e digo tontices, e faço disparates, e sorrio com tanta facilidade, mas quando chego aqui, no momento de desaguar os textos, como que deixo cair o manto e desnudo-me até à nostalgia...
E sorrio, ainda assim, ante esta quase inevitabilidade. E rendo-me a ela, mesmo acreditando que não há ninguém nem nada neste mundo que mereça tal nudez...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
... momentos...
"""
Esperei-te na ânsia dos ventos teus que envidam a embarcação das emoções minhas, mas nem uma brisa senti...
No teu silêncio desoriento-me sem saber como poder atracar em ti... Sim!! Atracar, em todo o sentido figurado da palavra ...
Atracar as emoções, enlaçando-te o corpo qual corda, âncorando-te a voz com sussurros prometidos, flutuando-te nos toques que adivinham entregas, permanecendo-te nos cheiros conhecidos mas ávidos de novas inspirações...
Sopra-me....
"""
Esperei-te na ânsia dos ventos teus que envidam a embarcação das emoções minhas, mas nem uma brisa senti...
No teu silêncio desoriento-me sem saber como poder atracar em ti... Sim!! Atracar, em todo o sentido figurado da palavra ...
Atracar as emoções, enlaçando-te o corpo qual corda, âncorando-te a voz com sussurros prometidos, flutuando-te nos toques que adivinham entregas, permanecendo-te nos cheiros conhecidos mas ávidos de novas inspirações...
Sopra-me....
"""
terça-feira, 25 de maio de 2010
...
... Ontem refugiei-me no meu local predilecto: frente ao Mar...
É verdade que não é qualquer Mar que me acalma mas apenas o Mar destas praias do Norte...
Negro, velho, cansado na teimosia do desgaste dos austeros penedos, sinto-lhe sabedoria e maturidade para ser meu confidente destes meus estados nostálgicos. A alma só é revelada (ainda que efemeramente) a confidentes eternamente silenciosos...
No enleio da maresia e das danças das gaivotas, já quase enrolada no movimento das ondinhas de maré baixa, ouvi-me, encontrei-te e dei-nos asas...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Momentos doces...
Eu gosto dos dias longos.
Destes fins de tarde arrastados, numa brincadeira do dia com a noite cada um exibindo a força dos seus Astros: a Lua impondo a sua escuridão e o Sol que não quer deixar o seu trono de luz. Tudo num cenário de onde exalam já os cheiros do saudoso verão…
Hoje dediquei-me às minhas lides académicas e reencontrei-me com o meu escritório, espaço cúmplice por excelência quer pelo tempo que aqui passo, quer pelos livros que me rodeiam e que são pedaços da minha vida, quer ainda pela música que só aqui ouso ouvir, tão escondida que estou do mundo e tão exposta e a mim mesma…
Nestes fins de tarde abro as duas janelas, de par em par, permitindo que os cheiros do monte que se espraia frente ao meu prédio me invadam num desafio traquina à concentração exigida por um texto sobre direitos humanos…
Confesso: entreguei-me completamente quando resolvi buscar um chá de erva príncipe, fresco na medida exacta… afundei-me na poltrona, deixei viajar o olhar e fiz-me acompanhar de Djavan, outro cúmplice destas viagens deliciosas…
Fui, sem Tempo ou Espaço.
Numa verdadeira alienação parece que toda a minha existência física deixa de fazer sentido e seduzo-me pelos guiões da imaginação, realizados pelo soberbo Desejo, mestre das melhores filmagens das nossas vidas…
Onde estive, quem fui e quem “me recebeu” é coisa inconfessável...
Mas, uma vez regressada, e no ímpeto de aqui deixar registado um momento, um doce momento, sem que encontre qualquer razão para que me apeteça tal partilha, acabo por ver que afinal houve entregas que mais não foram do que fruto de veleidades minhas …
Feitiços adocicados....
Destes fins de tarde arrastados, numa brincadeira do dia com a noite cada um exibindo a força dos seus Astros: a Lua impondo a sua escuridão e o Sol que não quer deixar o seu trono de luz. Tudo num cenário de onde exalam já os cheiros do saudoso verão…
Hoje dediquei-me às minhas lides académicas e reencontrei-me com o meu escritório, espaço cúmplice por excelência quer pelo tempo que aqui passo, quer pelos livros que me rodeiam e que são pedaços da minha vida, quer ainda pela música que só aqui ouso ouvir, tão escondida que estou do mundo e tão exposta e a mim mesma…
Nestes fins de tarde abro as duas janelas, de par em par, permitindo que os cheiros do monte que se espraia frente ao meu prédio me invadam num desafio traquina à concentração exigida por um texto sobre direitos humanos…
Confesso: entreguei-me completamente quando resolvi buscar um chá de erva príncipe, fresco na medida exacta… afundei-me na poltrona, deixei viajar o olhar e fiz-me acompanhar de Djavan, outro cúmplice destas viagens deliciosas…
Fui, sem Tempo ou Espaço.
Numa verdadeira alienação parece que toda a minha existência física deixa de fazer sentido e seduzo-me pelos guiões da imaginação, realizados pelo soberbo Desejo, mestre das melhores filmagens das nossas vidas…
Onde estive, quem fui e quem “me recebeu” é coisa inconfessável...
Mas, uma vez regressada, e no ímpeto de aqui deixar registado um momento, um doce momento, sem que encontre qualquer razão para que me apeteça tal partilha, acabo por ver que afinal houve entregas que mais não foram do que fruto de veleidades minhas …
Feitiços adocicados....
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