Ontem, na minha eterna mania de arrumar desarrumando, encontrei alguns textos que mais não eram, são (serão?) fragmentos de um Conto, de uma qualquer estória...
Pertecem, então, ao meu lado de "escrevinhadora" pois que o sublime epíteto de Escritor é pertença de uma quase casta ou elite, donos que são os seus membros de um verdadeiro Dom que não tenho...
Fragmentos assim expostos... sem ordem ou (crono)lógica, num caos mais ou menos organizado pelo singelo desejo de lhes dar alguma luz..
Foi bom "revisitar" este Tempo em que tentava escrever algo... sério...
Deixo a quem me lê Feitiços logicamente caóticos...
(...)
Assim se despediu ele, conduzido pelo insuportável silêncio que a ausência gritou:
“Acabou...
Esquecer-te é impossível.
Mas não é essa impossibilidade que me leva a não tentar esquecer-te.
Antes, é a minha feroz vontade de te ter tido como minha, num fragmento da vida, que me impele a recordar-te.
Como uma estante sem um livro não é uma estante, como um "Puzzle" sem uma peça não é um "Puzzle", a minha estória sem ti não é a minha estória...
Jamais te relegarei para o canto das memórias apagadas!! Aí jazem os momentos para os quais comprei um bilhete de ida mas jamais de volta. Na força pujante do esquecimento elas não são revisitadas... pertencem-me indefectivelmente mas estão proscritas porque a minha leveza de ser assim o decretou!
Ainda que sejas Pretérito do verbo estar (na minha vida) quero sempre revisitar-te no Gerúndio, bem sabendo que o Futuro não se conjuga...
Bem podes achar-me (e achas!!!) um tonto melodramático, mas refuto essa adjectivação quando o que me move e me turbina é a tenacidade e o pragmatismo. Sim, porque o teu silêncio determinou que em Paixão pode, afinal, falar-se “pragmatismo” ...
Dissemo-nos o que então nos fazia sentido. O que da Alma nos brotava (recordo-me da nossa embriaguez de loucos e apaixonados, jurando-nos almas gémeas)
Hoje nada te sei sem nunca te ter imaginado capaz desta ausência...
Um beijo com o sabor que te permita a memória do que dançámos... “
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Apeteceu-me isto... hoje...
Eu gosto muito do Outono...
O doce cheiro das castanhas a assar no embalo dos cânticos da vendedoras, o Sol teimoso numa afirmação de força ante as ameaçadores nuvens, os gritos das crianças de regresso ou de ida para a escola ..... e uma maravilhosa vista da cidade velha enquanto tranquilamente aprecio a passagem da manhã para a tarde...
No Verão não há esta doce nostalgia, não há tempo para aconchegarmos o casaco no impulso de resposta a um vento frio que nos sopra junto ao pescoço. Não há este calor envolvente quente como um abraço, não há luz tórrida, vermelha-fogo, a esgueirar-se entre os prédios de velhas fachadas orgulhosas de outros tempos...
Como eu gosto de divagar no tempo sem tempo...
Apeteceu-me escrever isto porque hoje me sinto rendida à estação... e vou sair por aí com a melodia e o verso “vou viver como alguém que espera um novo amor” que me ficou desde manhã quando ouvia no carro o álbum da Ana Carolina em CD... (( é linda essa música ...)))
Um sorriso Outonal..
O doce cheiro das castanhas a assar no embalo dos cânticos da vendedoras, o Sol teimoso numa afirmação de força ante as ameaçadores nuvens, os gritos das crianças de regresso ou de ida para a escola ..... e uma maravilhosa vista da cidade velha enquanto tranquilamente aprecio a passagem da manhã para a tarde...
No Verão não há esta doce nostalgia, não há tempo para aconchegarmos o casaco no impulso de resposta a um vento frio que nos sopra junto ao pescoço. Não há este calor envolvente quente como um abraço, não há luz tórrida, vermelha-fogo, a esgueirar-se entre os prédios de velhas fachadas orgulhosas de outros tempos...
Como eu gosto de divagar no tempo sem tempo...
Apeteceu-me escrever isto porque hoje me sinto rendida à estação... e vou sair por aí com a melodia e o verso “vou viver como alguém que espera um novo amor” que me ficou desde manhã quando ouvia no carro o álbum da Ana Carolina em CD... (( é linda essa música ...)))
Um sorriso Outonal..
segunda-feira, 26 de abril de 2010
...Hoje acordaram-me...
Deambulo com um pé na luz e outro na escuridão.
Dão-me risos e sorrisos quando mereço esgares e raivas.
Sou o que não sou,
E não sou o que sou.
Mato o que não sou e esventro-me, como quem dá à luz, o que sou.
Neste limbo em que a unidade se fragmenta cultivo clandestinidades,
Perco-me ébria nas emoções, encontro-me triste nas razões.
Não mostro o que sou
E mostro o que não sou:
Mostro alegria e não sou vida,
Mostro liberdade e não sou força,
Não mostro que sou falsa na felicidade...
Dão-me risos e sorrisos quando mereço esgares e raivas.
Sou o que não sou,
E não sou o que sou.
Mato o que não sou e esventro-me, como quem dá à luz, o que sou.
Neste limbo em que a unidade se fragmenta cultivo clandestinidades,
Perco-me ébria nas emoções, encontro-me triste nas razões.
Não mostro o que sou
E mostro o que não sou:
Mostro alegria e não sou vida,
Mostro liberdade e não sou força,
Não mostro que sou falsa na felicidade...
terça-feira, 16 de março de 2010
O desencontro, de novo...
O meu esquema mental sobre “NÓS” tornou-se um verdadeiro labirinto…
(ao enternecimento, seguiu-se, de novo e sempre, a implacável ausência. Jaz, pois, aqui, o seu desabafo em tempos de vazio...)
Dizem que saber esperar é uma virtude, que a pressa é inimiga da perfeição, que depressa e bem não há quem, que quem espera sempre alcança...
“Dizem”... essa entidade que proclama pensamentos cliché, lugares comuns enfadonhos e se esconde numa aparência balofa de Guru do Sentido da Vida…
A verdade é que os clichés confortam quando estamos no tempo deles e com eles nos identificamos.
No meu caso, no nosso caso, esses lugares comuns são irritantes, arrogantes e até petulantes ante a confusão que se instalou na minha perspectiva e percepção desta nova (angustiante e interminável) fase da nossa relação. Ou deverei dizer “relação” enfatizando a diferenciação, anormalidade ou irrealidade que o uso das aspas implica? Pois bem, parece-me justo que eu escreva “relação”. E sabes porquê? Porque efectivamente, não há relação.
Nós não temos uma relação.
Temos afectos, afinidades, sentimentos, uma história mal resolvida, pseudo-concretizada. Temos hiatos de tempo entre nós, outras histórias, outras vidas, outros afectos… Temos vontades, desejos, projectos adiados, incessantemente adiados…
O nosso único e indefectível património comum é o Tempo… os dias, as semanas, os meses que todos se converteram em anos…
E se já nos confessamos arrependidos desse tempo que passou e, portanto, tempo perdido, porque não te mereço hoje um sinal? Uma leve mas indelével presença? Uma interrupção nesse silencio? Será que te assustei e afastei? Será que, afinal, não temos vontades, desejos e projectos e estes mais não são do que meras realidades minhas, numa solitária singularidade?...
Tantas coisas me disseste e escreveste no contexto da impossibilidade, sereno e confiante da tua privacidade. O que mudou? Melhor: essa mudança implica essa estanquidade? Exige essa fuga? Esse isolamento? E se sim (admito), exige nessa medida absoluta?...
A espera é verdadeiramente horrível quando não se tem nada no horizonte que permita estar-se à toa dos acontecimentos e ainda assim com rumo…
Estou sem rumo e sem timoneiro apenas com os despojos de memórias cada vez mais longínquas…
O vazio é mais vazio quando o que se deixa(ste) vago é um lugar exclusivo, singular, especial, próprio, devotado a um sentimento…
Dizer-te "Amo-te, perdição..." tornou-se mais salvador para mim do que reconfortante para ti...
(ao enternecimento, seguiu-se, de novo e sempre, a implacável ausência. Jaz, pois, aqui, o seu desabafo em tempos de vazio...)
Dizem que saber esperar é uma virtude, que a pressa é inimiga da perfeição, que depressa e bem não há quem, que quem espera sempre alcança...
“Dizem”... essa entidade que proclama pensamentos cliché, lugares comuns enfadonhos e se esconde numa aparência balofa de Guru do Sentido da Vida…
A verdade é que os clichés confortam quando estamos no tempo deles e com eles nos identificamos.
No meu caso, no nosso caso, esses lugares comuns são irritantes, arrogantes e até petulantes ante a confusão que se instalou na minha perspectiva e percepção desta nova (angustiante e interminável) fase da nossa relação. Ou deverei dizer “relação” enfatizando a diferenciação, anormalidade ou irrealidade que o uso das aspas implica? Pois bem, parece-me justo que eu escreva “relação”. E sabes porquê? Porque efectivamente, não há relação.
Nós não temos uma relação.
Temos afectos, afinidades, sentimentos, uma história mal resolvida, pseudo-concretizada. Temos hiatos de tempo entre nós, outras histórias, outras vidas, outros afectos… Temos vontades, desejos, projectos adiados, incessantemente adiados…
O nosso único e indefectível património comum é o Tempo… os dias, as semanas, os meses que todos se converteram em anos…
E se já nos confessamos arrependidos desse tempo que passou e, portanto, tempo perdido, porque não te mereço hoje um sinal? Uma leve mas indelével presença? Uma interrupção nesse silencio? Será que te assustei e afastei? Será que, afinal, não temos vontades, desejos e projectos e estes mais não são do que meras realidades minhas, numa solitária singularidade?...
Tantas coisas me disseste e escreveste no contexto da impossibilidade, sereno e confiante da tua privacidade. O que mudou? Melhor: essa mudança implica essa estanquidade? Exige essa fuga? Esse isolamento? E se sim (admito), exige nessa medida absoluta?...
A espera é verdadeiramente horrível quando não se tem nada no horizonte que permita estar-se à toa dos acontecimentos e ainda assim com rumo…
Estou sem rumo e sem timoneiro apenas com os despojos de memórias cada vez mais longínquas…
O vazio é mais vazio quando o que se deixa(ste) vago é um lugar exclusivo, singular, especial, próprio, devotado a um sentimento…
Dizer-te "Amo-te, perdição..." tornou-se mais salvador para mim do que reconfortante para ti...
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