Mostrar mensagens com a etiqueta Contos enfeitiçados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Contos enfeitiçados. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 27 de abril de 2010
registos...
""
... Enquanto seguia firme nos passos, apesar da pesada herança das moralidades, soltei os cabelos imaginando os teus dedos neles perdidos no arrojo de um beijo.
De um beijo que me reclamaste e que, na hesitação minha, me roubaste.
Os lábios sentiram-se, reconheceram-se, sem nunca antes se terem sentido...
As línguas obedecendo aos comandos do desejo, da novidade, exploraram o inexplorável.
Não me lembro onde estivemos, que horas eram... creio mesmo que me perdi de quem éramos..
Não! Não sonhei. Éramos tu e eu, unos e um.
Depois de tantas palavras só se ouviam, no silêncio de sons, os gritos dos sentidos. O toque e o sabor eram reis. Impuseram-se no caos por ordem do Desejo há muito postergado, abafado, contido, aprisionado...
Podem os lábios sentir dor de saudade? E os cabelos crescerem como que buscando dedos ausentes? E pode a saliva ser um choro calado da língua? Haverá dormência de dedos no vazio do que se tocou?...
""
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Selvagem e Primitivo....
"Selvagem e primitivo..."
Mas como raio pôde ele dar como adquirido que ela quer sexo "primitivo e selvagem"?... "Atrevido" é a palavra que lhe assalta o léxico da compreensão das poucas sms que trocaram.
“Sexo primitivo e selvagem”. Deitou-se e acordou com a expressão e com a idealização em imagens dos comportamentos, dos enlaces, dos gestos de um fim-de-tarde de sexo primitivo e selvagem.
Quedou-se a observar o seu corpo enquanto a água quente disparada do chuveiro acordava cada poro da sua pele recém acordada. Normalmente, a rotina e a vulgaridade retiram a este ritual do banho a contemplação do corpo. Os minutos são escassos e o dia começa sempre a correr.
Mas não nessa manhã. Colocou no “puff” o gel de algas, cremoso e de aroma fresco e, sorrindo, transfigurou o puff e o gel em mãos e polpa de dedos e percorreu o seu corpo, molhado, quente, acordado, vivo e reactivo… (“sexo primitivo e selvagem” … mas porquê assim?) …
A partir daí, o mais banal objecto que percorresse as suas curvas acentuadas de mulher era imaginado como mãos, braços, lábios… e sorria da sua viagem conduzida pelos desejos.
Cremes e perfumes e outras fragrâncias usuais e veste-se. O vestido de malha, largo e justo nas medidas exactas, e os collants pretos de ligas não foram escolhas inocentes, inócuas, vazias de sentires. Domina ainda a força do desejo e, desta vez, o desejo de que, por arte das circunstâncias, ele lhe aparecesse no trabalho (“selvagem” encerra em si o inesperado e o incontrolável).
Saiu à rua segura de que o passeio e a estrada tinham traçado caminhos só para ela, de tal sorte que caminhar e conduzir eram gestos autómatos…
“Selvagem e primitivo”… como música que fica gravada e repetidamente surpreende a rotina…
Entregue a esse doce estado de hipnose, não poderia adivinhar o que o dia lhe reservara…
Mas como raio pôde ele dar como adquirido que ela quer sexo "primitivo e selvagem"?... "Atrevido" é a palavra que lhe assalta o léxico da compreensão das poucas sms que trocaram.
“Sexo primitivo e selvagem”. Deitou-se e acordou com a expressão e com a idealização em imagens dos comportamentos, dos enlaces, dos gestos de um fim-de-tarde de sexo primitivo e selvagem.
Quedou-se a observar o seu corpo enquanto a água quente disparada do chuveiro acordava cada poro da sua pele recém acordada. Normalmente, a rotina e a vulgaridade retiram a este ritual do banho a contemplação do corpo. Os minutos são escassos e o dia começa sempre a correr.
Mas não nessa manhã. Colocou no “puff” o gel de algas, cremoso e de aroma fresco e, sorrindo, transfigurou o puff e o gel em mãos e polpa de dedos e percorreu o seu corpo, molhado, quente, acordado, vivo e reactivo… (“sexo primitivo e selvagem” … mas porquê assim?) …
A partir daí, o mais banal objecto que percorresse as suas curvas acentuadas de mulher era imaginado como mãos, braços, lábios… e sorria da sua viagem conduzida pelos desejos.
Cremes e perfumes e outras fragrâncias usuais e veste-se. O vestido de malha, largo e justo nas medidas exactas, e os collants pretos de ligas não foram escolhas inocentes, inócuas, vazias de sentires. Domina ainda a força do desejo e, desta vez, o desejo de que, por arte das circunstâncias, ele lhe aparecesse no trabalho (“selvagem” encerra em si o inesperado e o incontrolável).
Saiu à rua segura de que o passeio e a estrada tinham traçado caminhos só para ela, de tal sorte que caminhar e conduzir eram gestos autómatos…
“Selvagem e primitivo”… como música que fica gravada e repetidamente surpreende a rotina…
Entregue a esse doce estado de hipnose, não poderia adivinhar o que o dia lhe reservara…
terça-feira, 23 de março de 2010
Recantos da memória... dele...
"Aquele maço de cigarros inerte, doença em potência mas, ainda assim, convidativo pelo doce cheiro das folhas secas por queimar, era o refúgio do meu olhar enquanto ela me arremasava umas quantas verdades... (Como ela ficava desejável nessa sua intrepidez dessas suas razões!!)
A sala estava higienicamente mobilada albergando apenas a intenção decorativa de um gabinete de trabalho. Só uma mesa longa se nos interpunha já que tudo em nós se imbricava apesar das tuas verdades.
Essas recebiam de mim um cabisbaixo e anuente "eu sei", "não sei", "pois...".
Recordo-me do quanto desejei que nada existisse: apenas nós, sem circunstâncias de tempo, lugar, estados civis, compromissos... Que a nossa vida fosse um doce romance em que tudo é viável nos caprichos manipulativos do autor.
E foi nesse desejo que, de repente, nos vi enlaçados (as verdades hirtas, frias, impeditivas esfumaram-se) nos braços e nos beijos um do outro. As bocas incansáveis buscavam recantos inundados de desejo, as mãos sondavam medidas já reconhecidas mas sempre novas a cada passagem. Os olhos, persianas de média luz, viajavam sem rumo. Os corpos agora rendidos aos comandos das emoções ditas, prometidas e incontidas são CORPO, de tanto se sentirem reflexos reflectidos reflectores...
Assim me lembro de ti quando quero esquecer-te..."
A sala estava higienicamente mobilada albergando apenas a intenção decorativa de um gabinete de trabalho. Só uma mesa longa se nos interpunha já que tudo em nós se imbricava apesar das tuas verdades.
Essas recebiam de mim um cabisbaixo e anuente "eu sei", "não sei", "pois...".
Recordo-me do quanto desejei que nada existisse: apenas nós, sem circunstâncias de tempo, lugar, estados civis, compromissos... Que a nossa vida fosse um doce romance em que tudo é viável nos caprichos manipulativos do autor.
E foi nesse desejo que, de repente, nos vi enlaçados (as verdades hirtas, frias, impeditivas esfumaram-se) nos braços e nos beijos um do outro. As bocas incansáveis buscavam recantos inundados de desejo, as mãos sondavam medidas já reconhecidas mas sempre novas a cada passagem. Os olhos, persianas de média luz, viajavam sem rumo. Os corpos agora rendidos aos comandos das emoções ditas, prometidas e incontidas são CORPO, de tanto se sentirem reflexos reflectidos reflectores...
Assim me lembro de ti quando quero esquecer-te..."
Subscrever:
Mensagens (Atom)
